quinta-feira, 17 de março de 2011

Cores do Egito

O Egito e suas cores!




No Egito, tudo era muito simbolico, e com as cores não poderia ser diferente.
Se engana quem pensa que todas as roupas eram brancas, assim como também se pensa das roupas gregas. Muito pelo contrario, os tecidos poderiam ter as mais belas cores e padronagens, eram muito alegres e lindos!


Cores

Era muito comum tingir os tecidos com cores claras, que podiam ser de apenas uma cor ou de varias formando desenhos e padronagens, sem perder seu significado simbolico.

Kemi - Negro, preto
hedjet - branco, prateado (também é o nome da coroa branca do sul)
tesheret - vermelho (também é o nome da coroa vermelha do norte)
nub - amarelo, dourado
wadjet - verde (a deusa Wadjet era conhecida como "a verde")
Kesbed - azul
Mefkat - azul turqueza ou azul claro
*O metal ouro também era chamado de nub, e a prata de nub hedj, ou ouro branco!


Nub - Ouro ou Dourado

O ouro era chamado de "nebw" de "nub". E era associado com o poder do deus Ra (ou Re), e com o faraó. Mas também era associado ao deus Set, muitas vezes chamado de "Aquele da Cidade Dourada" (a cidade de Nubt).
A pele dos deuses era associada ao ouro, que representa a pureza e a eternidade.


Nub Hedj - Prata ou Prateado

A Prata era chamade de "Hedj". A palavra Hedj também significa "branco", e a prata muitas vezes era chamada de "ouro branco" (nub hedj)
Ela representa a pureza, mas também podia representar a Lua (assim como o ouro representava o sol). A prata era muito rara no Egito, e por isso encontramos mais trabalhos em ouro do que em prata durante o Antigo Império. Durante o Médio Império, encontramos objetos de prata que provavelmente valiam metado do preço do ouro. A prata se tornou mais popular no Egito em tumbas faraônicas apartir a XXI e XXII dinastias, mas não se sabe realmente o porque. Especulações dizem que pode ter sido por falta de ouro (a fazendo mais barata que o ouro) ou por razões artisticas ou mitologicas (possivelmente uma ligação com o deus Sokar).
A prata também era usada como objeto de troca para comprar coisas mais baratas e comuns (cerveja, pão, linho, etc). O "shat" (seniu, Sna ou shena) era pequeno disco contendo 7.5 ou 7.6g de prata, enquanto o "deben" tinha entre 90 e 91g. Deben e shat não eram exatamente usados como uma espécie de moeda, apenas como uma referencia do valor da prata relacionado com coisas cotidianas.

Wadjet - Verde

A palavra Wadj (verde) também significa "florescer" ou "estar saudável".
O hieroglifo é a representação de um papiro (planta) assim como da pedra "malaquita" (também chamada de wadj).
A cor verde representa a vegetação, a vida nova e a fertilidade. Os deuses da terra e da fertilidade eram Geb e Osiris, que tinham a pele verde, indicando o seu poder de estimular o crescimento da vegetação. Entretanto, os egípcios associavam o verde com o ciclo da vida, e assim como simbolizava a fertilidade e o nascimento, também simbolizava a morte e o poder de ressurreição. O reino de Osiris também era chamado de "campos de malaquita"
A malaquita também representa a felicidade e o entretenimento e por isso é associada à deusa Hathor.
A deusa Wadjet é chamada de "a verde" e é uma das Duas Senhoras das Duas Terras.


Mefkat - Turqueza (azul claro ou verde agua)

Outra cor muito usada pelos egípcios era o turqueza, visto ora como um tom de verde azulado, ora como azul esverdeado, mas para os egípcios era azul claro mesmo.
A cor turqueza, assim como a pedra era chamada de Mefkat, e simbolizava a fertilidade, a boa sorte e a proteção contra "o olho do mal", além de ser visto como um precioso prêmio pelos egípcios.
O bracelete de ouro e turqueza da rainha Zer é a peça de joalheria adornada com pedras mais antiga descoberta até agora, cerca de 5500 a.C. A turqueza era extraída no Sinai. Os egípcios também usava quartzo esverdeado, para dar o mesmo efeito brilhante da turqueza.
No livro dos mortos, a doença é descrita como um falcão de asas com pedras verdes. Devido a conexão com Horus (Heru) e com o amuleto "o olho de Horus", que oferece proteção e cura, que também é verde. Durante o processo de mumificação, um escaravelho verde era posto do lado esquerdo do peito, em cima do coração para proteger todo o local aonde o morto repousará magicamente.

Khesbed - Azul

O azul, também chamado de Irtyu, é a cor do paraíso e a representação do universo. Muitos templos, sarcófagos e urnas funerárias eram adornadas de azul escuro com pequenas estrelas douradas.
Azul também era a cor da agua, e por isso representava as aguas do Nilo Primeval do Caos. Como resultado, o azul é associado com a fertilidade, renascimento e com o poder de criação. Um hipopotamo de vidro ou faiança azul era muito popular como simbolo do Nilo e do deus criador Amun, também era representado com a face azul.
De acordo com o mito, o cabelo dos deuses era feito de Lapis Lazuli (khesbedj). Um grande número de faraós imitavam os deuses sendo representados artisticamente com a face ou os cabelos azuis.

Khesbedj - Lapis Lazuli
O Lapis Lazuli era chamado de "Khesbedj". É o azul escuro que simboliza a fertilidade e a boa sorte, e era associado ao céu e ao universo.
Na pintura, os egípcios faziam os pigmentos azuis com um grande número de minerais, incluindo o azurite (tefer) e o cobre (bia). Mas o mais famoso e precioso de todos era o "azul egípcio" (irtyu) feito com quartzo (silica) com cobre (em forma de malaquita), carbonato de calcio e natrão. Era caro e dificil de ser feito, mas produzia uma cor alul escura bastante popular.
O Lapis Lazuli e o vidro azul também eram usados na sua joalheria.
* O turqueza (azul-agua) era mais associado com a cor verde do que com a cor azul.
O Lapis foi encontrado em artefatos do periodo pré-dinastico, e é evidente que nos tempos mais remotos o usaram como objeto de troca com seus vizinhos do Vale do Eufrates.

Tefer - Azurita
A azurita é encontrada frequentemente em associação com a malaquita como resultado da alteração e oxidação de minerais de cobre.
O nome azurita tem origem na palavra árabe para azul. Desde há muito tempo usada como pigmento mineral azul. Usada também em jóias; os melhores espécimes são apreciados por coleccionadores de minerais.

Bia - Sulfato de Cobre
O cobre nativo, o primeiro metal usado pelo homem, era conhecido por algumas das mais antigas civilizações que se tem notícia e tem sido utilizado pelo menos há 10.000 anos - onde atualmente é o norte do Iraque foi encontrado um colar de cobre de 8.700 a.C.; porém o descobrimento acidental do metal pode ter ocorrido vários milênios antes. Em 5.000 a.C. já se realizava a fusão e refinação do cobre a partir de óxidos como a malaquita e azurita. Os primeiros indícios de utilização do ouro não foram vislumbrados até 4.000 a.C. Descobriram-se moedas, armas, utensílios domésticos sumérios de cobre e bronze de 3.000 a.C., assim como egípcios da mesma época, inclusive tubos de cobre. Os egípcios também descobriram que a adição de pequenas quantidades de estanho facilitava a fusão do metal e aperfeiçoaram os métodos de obtenção do bronze; ao observarem a durabilidade do material representaram o cobre com o Ankh, símbolo da vida eterna.


Tesheret - Vermelho

O Vermelho, chamado desher, tinha diversas associações no Antigo Egito. O deserto era chamado de terra vermelha (desheret) em contrapartida com o Egito, Kemet, ou terra negra. Desheret também é o nome da coroa vermelha do norte.
Os egípcios preferiam as pedras vermelhas de jaspe ("khenmet", possivelmente do verbo "hnm", "deleitar-se") e de cornalina ("herset", que significa "triteza" durante o periodo dinastico tardio). Eles também usavam o Sárdio (uma variedade de calcedônia com cor castanha a castanha avermelhada e translúcida) e o vidro, para fazer suas pinturas ricas em vermelho com aço oxidado e ocres avermelhados.
O vermelho era a cor mais poderosa do Egito por causa da sua associação com o sangue, principalmente com o poder do sangue de Isis.

O amuleto Tjet (nó de Isis) era colocado na múmia feito em pedra vermelha. O livro dos Mortos especifica que o Tjet devia ser feito sem jaspe vermelho, mas com cornalina ou exemplares de vidro vermelho que fossem encontrados. O Tjet nem sempre é vermelho (também poderia ser em azul) mas muitos estudiosos ligam o simbolo com o sangue de Isis, uma representação do sangue menstrual.

O amuleto Shen, era o simbolo da vida longa. Era associado com Ra, o deus do sol e feito em pedra vermelha, principalmente em cornalina (mas também é possivel encontra-lo em lápis lazuli). Ele aparece como disco com uma linha abaixo, zimbolizando o sol no horizonte. O Shen representa a eternidade e trás vida londa.

Entretanto, a cor vermelha também representa a raiva, o caos e o fogo, e é associado a Set, o imprevisivel deus das tempestades, assim como com Sekhmet, "Senhora da Chama". Set tem o cabelo vermelho, e pessoas ruivas eram associadas a ele. Como resultado, os egípcios descreviam pessoas com um perfil bélico como tendo um "coração vermelho" ou como tendo "olhos vermelhos", se fosse raivosa ou violenta. Set também associado com o deserto e lugares distantes, com o caos e com a raiva. Por isso a palavra "deserto" é derivada do egípcio "desheret", terra vermelha.
Vermelho por ser azarado ou perigoso. Sacerdotes e escribas também usavam a cor vermelha simbolizando o poder de importantes frases com tinta vermelha, assim como palavras vistas como coisas ruins ou que lembravam má sorte também eram escritas em vermelho. Neste caso, todo papiro que falasse de Apep (Apophis) era escrito em vermelho.

* A cornalina (herest) era associada à Sekhmet, como uma forma de balancear o bem e o mal com Hathor, simbolizada pela turqueza (mefkat)


Khenet - Amarelo

O amarelo, ou khenet, representava o eterno e indestrutivel, e era associado ao ouro (neb, nebu ou nebw) e ao sol. O ouro era a pele dos deuses, e numerosas estatuas dos deuses eram feitas ou cobertas com ouro. Os sarcofagos dos faraós também eram feitos de ouro, pois ele estava prestes a se tornar um deus em sua morte. Um "shen" dourado era colocado no peito da múmia para lhe dar a proteção de Ra.
Os egípcios também usavam pigmentos de ocre amarelo (um minério de ferro) e massicot (um óxido de chumbo). Durante o Novo Império, eles também usaram o sulfato de arsênico. O amarelo também era misturado com o branco, representando a pureza.


Hedji - Branco

como o Amarelo era associado ao ouro, o Branco era associado à prata, mas apesar da prata ser chamada de nub hedj (por ser considerado o ouro branco), o branco era chamado apenas de hedj.
A cor branca representava a pureza e a onipotencia. O branco era visto como o oposto do vermelho, que era associado ao caos, fazendo do vermelho e do branco, cores complementares, como é visto na coroa dupla (pschent), união do Alto (hedjet) e do Baixo (tesheret) Egito. É particularmente associado com objetos simbólicos religiosos e ferramentas feitas em alabastro branco.
A cidade sagrada de Menfis (Menufer) era chamada de "Ineb hedj" que significa "os muros brancos", e adornos e sandalias brancas eram usadas em cerimonias sagradas.
O alabastro era muito valioso para os egípcios por causa da reluzente cor branca. O que resultou no seu uso para itens rituais como os vasos canopicos.
A palavra "hedj" é usada tanto para branco quanto para prata.


Kemi - Preto

A cor preta, Kem, representava tanto a morte como o pós-vida. Um dos epítetos de Osiris era "o negro" por ele ser o rei do mundo dos mortos, e tanto ele quanto Anubis (o deus do embalsamento) eram representados com faces negras.
Entretando, os egípcios também associavam o preto com fertilidade e ressurreição, pois a agricultura dependia da lama negra deixada pelas cheias do Nilo aonde seria plantado tudo que fosse ser consumido ou exportado do Egito durante o resto do ano. Tanto para a representação de ressurreição como de fertilidade, o preto e verde eram interligados. Como resultado, os deuses Osiris e Geb são representados com pele negra ou verde, enfatizando sua conexão com a fertilidade.

O Egito era chamado e Kemet, a "terra negra" justamente por causa da lama que ficava ao redor do Nilo após as cheias, e não tem absolutamente nada a ver com etnicidade.

A Rainha Ahmes-Nefertari foi representada com a pele negra, o que gerou muita discussão se ela seria ou não de origem núbia, mas é certo que foi apenas uma representação simbolica de riqueza e fertilidade, além de ela ser também a patrona da necrópolis.

* Ebano = A pintura negra era feita com fuligem ou carvão, e ocasionalmente com óxido de manganésio. Ebano (que tem seu nome moderno devido ao kemita "hbny") também era bastante popular. E junto com o marfim (do egípcio âb, âbu = "elefante"), faziam um bonito conjunto. Tutankhamun tinha um belíssimo senet feito em ebano e marfim em sua tumba.
* A Onyx Negra também era bastante popular na joalheria egípcia, usada tanto pela realeza quanto pela plebe. Ela é uma forma de quartzo negro que fica muito bonito combinado com a prata.

Curiosidade
As cores das pinturas egípcias eram elaboradas da seguinte forma:
O preto era usado para fazer a pintura a partir do Carvão de madeira ou Pirolusite, um óxido de manganésio do deserto do Sinai.
O Branco era usado para fazer a pintura a partir do Cal ou Gesso.
O Vermelho era usado para fazer a pintura a partir do Ocre.
O Amarelo eles usavam o Óxido de ferro hidratado (limonite).
O Verde era feito através da malaquita de sinai.
O Azul era elaborado a partir do Azurite (Carbonatode Cobre) ou Óxido de Cobalto.


by mara sop


Um comentário:

Eliana Matthos disse...

Parabens. Texto fantástico.