terça-feira, 24 de novembro de 2015

A face que lançou mil navios ao mar



A Mais Bela

De tempos em tempos, eu releio meus livros favoritos, especialmente quando leio algo que tenha um tema parecido. Acontece que recentemente li "A Irmandade Perdida" da Anne Fortier, (e me apaixonei completamente pelo livro só pra variar. #AnneFortierLover ) e tive uma ressaca literária tão grande que não conseguia desvecilhar da história, então resolvi reler "Helena de Tróia" da Margaret George, que também fala da Guerra de Tróia. Fazia anos que tinha lido esse livro pela última vez, e foi ótimo reler, pois não lembrava de vários detalhes da história.

Pra vocês entenderem melhor, eis um trechinho de um artigo que eu escrevi em 2009 sobre vários livros sobre Helena de Tróia. Aliás, se vocês tiverem curiosidade, basta clicar aqui. ;)


"A Helena deste romance é uma verdadeira heroína! Inteligente, sensivel, romantica e aventureira. Uma princesa que se casa com Menelau por simpatia e amizade, mas que tenta em vão se apaixonar pelo marido, até que Afrodite coloca Páris em seu caminho, o verdadeiro amor de sua vida, e por ele Helena joga tudo pro alto em busca da felicidade. Seria lindo se não fosse tragico, claro! 

A escritora segue a cronologia das lendas através das memórias de Helena, sempre colocando a perspectiva da rainha como foco principal do livro. Helena é uma jovem que anseia por liberdade pois se vê escrava de sua aparencia durante toda a sua vida como uma espécie de maldição. Ela se apaixona por um jovem Páris, quase 10 anos mais jovem que ela, mais proximo da idade de sua filha Hermione, de 9 anos, do que dela, de 25. Mas apesar de jovem, Páris já viveu muitas aventuras entre sua vida de pastor no Monte Ida e a de principe troiano.

Os personagens são super carismáticos, como George costuma fazer em todos os seus livros, e justamente por isso, é impossivel não se apaixonar pela majestade de Leda e Hécuba, pela solidariedade de Andromaca, ou pela esperteza das jovens princesas Hermione e Polixena. Até mesmo a temível Clitemnestra é mostrada de forma simpática pela autora. Mas o que mais me chamou a atenção foi o fato de trabalhar a vida de Helena também após a queda de Tróia, falando de sua estada no Egito e seu regresso à Esparta como rainha ao lado de Menelau, assim como a reconquista do afeto de Hermione e como ela lidou com seus proprios erros cometidos pela paixão avassaladora que viveu com Páris."

Mas porque falar de Helena?

Porque a Helena da lenda de Tróia usa um estilo de roupas totalmente diferente do que é apresentado em filmes, livros, peças de teatro e afins.

Primeiro, deixe eu relembrar a lenda da história da Guerra de Tróia pra vocês. ;)

As deusas Afrodite, Hera e Atena disputavam o titulo de mais bela, e foram pedir para que Páris, um jovem famoso por ser justo, para que decidisse o problema. Bem, as deusas tentaram subornar Páris. Hera lhe ofereceu poder, Atena sabedoria, e Afrodite lhe prometeu "a mulher mais bela do mundo". Só tinha um problema que a deusa não explicou pra Páris. A mulher mais bela do mundo, Helena de Esparta, já era casada. Páris escolheu Afrodite. E pouco tempo depois, ele viajou à Esparta numa embaixada, aonde conheceu Helena, esposa do rei Menelau. Assim que se viram, se apaixonaram perdidamente e fugiram juntos pra Tróia, aonde Páris era filho do rei Priamo. Mas ele não conhecia a história de Helena.

Páris e as três deusas

Helena sempre foi linda, pois era filha de Leda, uma mulher muito bonita, e Zeus. Quando ela chegou na idade de casar, o pai terreno dela Tindaro, organizou uma grande recepção, aonde tinham muitos pretendentes à mão da princesa. Para evitar brigas, Tindaro fez que todos jurassem aceitar a escolha de Helena e proteger o escolhido caso acontecesse algo com ela. E quando Helena e Páris fugiram, Menelau e seu irmão Agamemnon, rei de Micenas, organizaram um super exercito com todos os pretendentes de Helena que juraram, reis, principes, grandes guerreiros e seus respectivos exércitos. Foram mil pra Tróia, e assim começou a guerra mais famosa da mitologia grega. O resto eu não vou contar porque contém spoilers caso alguém se interesse pelo livro.

Helena de Esparta e Helena de Tróia do livro da Margaret George


A Guerra de Tróia está estimada em ter acontecido por volta de 1270 a.C. (sim, Tróia realmente existiu), quando os "gregos" (eles não se chamavam gregos na época) usavam a moda micênica, similar à moda cretence.

Moda cretence e micênica


As mulheres não usavam peplos como é representado em tantas adaptações das lendas, mas trajes muito mais elaborados que uma simples túnica drapeada sobre o corpo. As saias eram volumosas, compostas de diversos babados, e por cima se usava um corset justo marcando bem a cintura. Os seios poderiam ficar à mostra numa boa, ou poderiam ser cobertos por um tecido fino que fazia as vezes de uma chemise. 

Mas Helena nunca é representada com trajes micênicos, pois as lendas foram imortalizadas já no periodo arcaico com a Iliada e a Odisséia de Homero, e clássico com as muitas peças de Eurípides, poemas como os de Quintos de Smirna, e registros históricos escritos por grandes nomes como Heródotus. 

Mas de qualquer forma, ver Helena usando um peplo sempre é agradável, apesar de errado. Os trajes usados no filme Tróia são lindíssimos, tanto os gregos como os troianos. E apesar do filme ser pouco fiél às lendas, super vale a pena assistir.

Diane Krueger como Helena de Tróia no filme "Tróia" de 2004


O único lugar que vi representarem Helena como uma verdadeira micênica foi na HQ "Age of Bronze" do genial Eric Shanower, que infelizmente ainda não foi lançada no Brasil (editoras, abram o olho pra essa preciosidade!). "Age of Bronze" é uma série de quadrinhos que contam só TODAS as lendas sobre a Guerra de Tróia, representada com toda a cultura da época, mostrando não só micênicos como micênicos, mas também troianos como troianos.

Helena e Hécuba de "Age of Bronze"

Em "A Irmandade Perdida", Helena é apenas uma personagem coadjuvante, pois o livro é focado nas amazonas. Mas ela está lá, e nesse livro, a lenda de Tróia foi reescrita de uma maneira incrivelmente diferente e fascinante!

Em breve vou postar um artigo sobre "A Irmandade Perdida", porque esse livro merece um artigo só dele, rsrs. Mas posso indicar alguns livros sobre a Guerra de Tróia que li e gostei muito, como "A Canção de Tróia" da Colleen McCullough, "Tróia - O Romance de uma Guerra" de Claudio Moreno, e "O Incêndio de Tróia" da Marion Zimmer Bradley.

Alguns dos livros sobre a Guerra que li e gostei!



by mara sop



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